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27 de janeiro de 2017

entrega

na entrega ao divino, veio o meio de ser igual a vocês.
veio a incompreensão de "porque eu deveria estar fazendo isso por vocês?"
a resposta é simples, porque vocês fariam o mesmo por mim.
vem a dúvida "será?"
vem a resposta "como ousa duvidar?"
culpa de novo

o que tem por trás da culpa é puro medo, medo de ser igual, de repetir as histórias mesmo sabendo que os contextos são diferentes, os envolvidos não são os mesmos no tempo do relógio e no tempo de evolução.

tem ganhos ocultos na sombra por agir assim e deixá-los ir é mais difícil do que parece. a não condenação ajuda muito, mas o peito apertado nesse momento é difícil controlar. pressão física mesmo, o apego em sua forma física incomoda de forma intensa. e sei que o divino não atende se a rendição vier do ego, se vier por pura vaidade. as músicas ajudam no processo, é como uma recarga de bateria, me sinto mais leve, mas o incômodo ainda existe.

eu não sou o filme, eu não sou o protagonista. sou apenas a tela em branco refletindo as emoções que representam confusão e verdade manipulada e não a realidade como É.

recompensa

eu não preciso fazer só porque estão me pedindo.
eu não preciso ir só porque precisam de mim.
eu não preciso fazer só porque posso fazer.
a vontade de servir tem sido maior do que os freios da análise, do que a parada para refletir se realmente é possível fazer ou não. ultimamente, tenho servido e ajudado sem olhar a quem ou até mesmo se tenho energia suficiente para doar.
isso tem me feito muito bem, porque a recompensa de ver um sorriso de alívio na família ou nos amigos é impagável.
mas, nesse momento, um pensamento forte me passou pela cabeça: até que ponto a preocupação com o outro vale a pena? sempre vale a pena? ou tem que ser dosado?
a aula de ontem veio forte em minha mente, sobre o ego querer se achar melhor só porque pode se achar melhor. mas isso não significa nada, afinal a realidade não são nossos pensamentos.
eu estou me sentindo melhor mas eu sei que não sou melhor.
o video do Hawkins agora me clarificou mais ainda o que escrevi há meses: acolha o lado animal, que que quer ser o primeiro, o melhor, o mais forte. não o condene, pois é graças ao "perky" que estamos aqui. trocar condenação por compreensão nunca veio tão forte quanto agora.
estou me sentindo culpada de me sentir melhor. culpa por ter um pensamento que calibra baixo, e vergonha porque sei que não é verdade.
o que está por trás disso?
estou me sentindo lesada pois só eu estou contribuindo. é ótimo ser provedora, mas minhas reservas estão acabando. nos últimos meses foram milhares de reais gastos para tapar um buraco que nem fui eu que causei. aí vem o julgamento "pô, você já passou por isso uma vez, e não aprendeu ainda?", e depois vem o pensamento "sou tão mais nova e já sei que agir assim é besteira. ainda bem que não me espelho em vocês senão estava lascada". aí vem o sentimento de superioridade. "sou mais nova e mais consciente."
engraçado, quem disse que estamos competindo pra ver quem é mais consciente?