Eu falava sozinha. No banheiro, pra ser mais exata. Nossa, trocava altas idéias comigo mesma.
Passei anos desse jeito e confesso que às vezes ainda faço isso, enfim.
Forever alone total, perceberam?
Até que um dia, minha mãe bateu na porta em perguntou com quem eu estava conversando. É, eu tinha me empolgado.
Precisava de outra solução: queria expor o que eu pensava sem ter medo de represálias. Porque quando um adolescente pensa, as pessoas querem podar seus devaneios. Nem era tão popular ainda esse negócio de blog, mas eu resolvi fazer. Ninguém ia ler, eu sabia, visto que eu não divulgava e tal.
Se você tiver paciência, visite minhas postagens antigas e veja a qualidade medíocre dos meus textos. Eles até fazem sentido, mas com a cabeça que tenho hoje, vejo que eu faria diferente: um pouco menos de revolta, um pouco mais de sapiência.
Mas veja bem, o passado que constrói a nossa essência. E devo dizer que precisei passar por todas as revoltas com e sem causa, os estresses, as discussões e brigas, mas sempre observando as pessoas e definindo o que eu NÃO queria ser. Tudo isso constrói caráter.
E tenho muito orgulho do que sou hoje.
Depois que conheci a poesia em 2008 pelos textos do
@tyagodepaula, a quem agradeço profundamente pela amizade e influência, a temática e o tom dos textos mudaram completamente.
Hoje já consigo não só pensar em rimas, mas também em assuntos que fujam um pouco do habitual. Assuntos que estão todos os dias na sua frente, e que se tornam normais. Mas não deveriam.
Alguns amigos me perguntaram porque eu não deixo somente as poesias aqui e excluo os textos revoltados do início. Eu digo que eu não gosto de esquecer a minha raiz, a minha base sabe?
Gosto muito de me lembrar como fui, pra continuar sendo as coisas boas e esquecer as coisas não tão boas assim.
Dei o título de Ampulheta pra essa "Série" porque está relacionada a tempo, que liga a (r)evolução de ideias e comportamento, mudança, upgrade. Que lembra que a gente tem que mudar sempre, adicionar coisas novas à nossa vida, mas nunca se esquecer das origens.
E aquela primeira palavra que eu li... Ah agradeço à minha curiosidade que me incitou a entrar nesse mundo louco e maravilhoso das letras!
E agradeço a vocês, meus queridos amigos e amigas pelos acessos e comentários que venho recebendo a cada dia que passa. O carinho é enorme, adoro vocês de verdade, perto ou longe, não importa... E que venha mais 100, 200, 1000 postagens...